Cidadania por Descendência

A cidadania por descendência, ou jus sanguinis (direito de sangue), permite que uma pessoa adquira a nacionalidade de um país por meio de seus laços familiares, geralmente pais, avós ou bisavós. Diferente do Brasil, que adota o jus soli (direito de solo), muitos países europeus e asiáticos priorizam o vínculo sanguíneo para conceder a nacionalidade. Para brasileiros que buscam um passaporte europeu ou a dupla cidadania, entender as regras de cada país é o primeiro passo.

Principais países e suas regras

Itália: É a cidadania por descendência mais popular entre os brasileiros. A Itália não impõe limite de gerações. Qualquer descendente de um cidadão italiano pode requerer o reconhecimento, desde que a linha de transmissão não tenha sido quebrada pela naturalização do antepassado italiano em outro país antes do nascimento do próximo na linha.

Portugal: A Lei da Nacionalidade permite que netos de portugueses solicitem a cidadania. É necessário comprovar vínculos efetivos com a comunidade portuguesa, como domínio do idioma e pertença a entidades culturais ou sociais. Filhos de portugueses têm direito automático.

Espanha: A Ley de Memoria Democrática, conhecida como Lei dos Netos, foi uma oportunidade para descendentes de espanhóis. O prazo se encerrou em outubro de 2024. Atualmente, as regras para descendentes são mais restritas.

Alemanha: Recentes reformas facilitaram a recuperação da cidadania para descendentes de alemães que foram perseguidos pelo regime nazista e perderam a nacionalidade. Para outros casos, as regras variam.

Japão: A cidadania japonesa é transmitida por sangue, mas não permite a dupla cidadania para maiores de idade. Descendentes até a terceira geração têm direito a vistos de longa duração.

Como dar entrada no processo?

O primeiro passo é reunir a documentação completa do antepassado e de todos os descendentes até você. As certidões de nascimento, casamento e óbito precisam ser obtidas em formato de inteiro teor. Depois, é necessário traduzir os documentos para o idioma do país de origem (tradutor juramentado) e apostilar pela Convenção de Haia.

Com os documentos prontos, o pedido pode ser protocolado no consulado do país no Brasil ou enviado para a justiça do país estrangeiro. O processo pode ser administrativo (mais barato, mas com filas longas) ou judicial (mais rápido, porém com custos mais altos).

Vantagens da dupla cidadania

Ter uma cidadania europeia ou de outro país oferece benefícios como:

  • Livre circulação e trabalho em blocos econômicos como a União Europeia.
  • Acesso a sistemas de saúde e educação públicos no exterior.
  • Facilidade para obter vistos e residência em terceiros países.
  • Transmissão da cidadania para futuras gerações.

Perguntas frequentes

Quanto tempo leva o processo? Depende do país. A cidadania italiana consular pode levar de 2 a 10 anos. A portuguesa costuma ser mais rápida.

Preciso de um advogado? Embora seja possível fazer por conta própria, a maioria dos requerentes contrata um despachante ou advogado especializado para evitar erros e acelerar o processo.

Perco a cidadania brasileira? Não. O Brasil reconhece a múltipla cidadania.

Posso viajar para o país e solicitar lá? Sim, muitos optam por entrar com o processo diretamente no país de origem, o que pode ser mais rápido.

A cidadania é automática para meus filhos? Sim, filhos menores de idade podem ser incluídos no processo.

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